Ficções da minha vida

sábado, 11 de fevereiro de 2012

High and dry

Continuo apaixonada por Jorge Drexler... Outro dia acordei e liguei o rádio. Tava tocando essa versão dele tocando Radiohead. Foi um jeito tão bom de começar o dia...

domingo, 22 de janeiro de 2012

A melhor coisa da vida

É não ser capaz de prever o futuro. É não ser capaz de entender como você se sentiria em situação nenhuma, a menos que ela aconteça. Porque aí a gente descobre que é capaz de ser feliz e de ter sentimentos que você nunca imaginou. E que aquilo que você nunca quis e sempre achou chato, pode ser uma coisa maravilhosa. E pode te fazer feliz todos os dias. E isso te dá fé no desconhecido. E na vida.

Já repararam

Como tem pessoas que conseguem tudo, todo sentimento, toda abertura, tudo, sem dar nada.

E como tem pessoas que nos dão tudo, todo sentimento, toda compreensão, toda doçura. Sem receber nada em troca.

E como essas duas coisas parecem nunca coincidir?

Ter gatos é

Adoro entender como as pessoas pensam. Aquele momento em que por um segundo você compreendeu exatamente o que o outro queria dizer. E é assim com bichinhos também. Não gosto de dizer que são bichos de estimação. Eles são família.

Esse sábado dei banho nos meus dois gatos. Eles não gostam, mas eu peço com carinho e digo que vai acabar logo e dei banho nos dois, sem nenhuma arranhão. Meu pai tentou colocar os dois em caixas de transporte, quando levou eles para São Paulo, foi horrível. Ficou todo arranhado, machucado. Os gatos apavorados. A gata tem medo dele até hoje. E vai dizer que as pessoas também não são assim. Eu sou. Se pedir com jeitinho é capaz de conseguir. Se tentar forçar a barra, sai arranhado.

E agora meu gato cismou que maçãs e ameixas são bolas. E bolas são brinquedos de gato, que devem e podem ser jogados no chão, pro gatinho brincar. Ou seja, se eu esqueço uma maçã na mesa, quando eu volto ela está no chão. Amassada. Eu não tinha entendido isso até o dia em que coloquei uma maçã na mesa, fui sair da sala, esqueci alguma coisa e quando voltei lá estava ele, brincando com a maçã. Ele também resolveu que não gosta de sapatos, se eles estão na minha mão. Nunca na vida tomou uma sapatada, mas decidiu rosnar para sapatos que não estejam no chão. Os que estão no chão ou em pés ele nem liga, afinal, são só sapatos.

A gata não liga para maçãs, mas bolas pula-pula junto com mariposas e insetos voadores em geral são as coisas favoritas dela no mundo. Se ela me vê com a bola na mão começa a miar loucamente. Ela precisa dizer que quer brincar. E essa semana a gente estava jogando bola e a bola caiu pela varanda do sétimo andar. Direto no telhado da garagem. E ela ficou olhando pela varanda e miando e me olhando como quem diz "minha bola caiu e você não vai fazer nada?!". Preciso de uma bola nova, ou vou perder pontos. E ninguém quer perder pontos com ela. Não mesmo. Não quando ela gosta de sentar encostado no sofá e coloca a patinha no meu ombro pra pedir carinho. Ou quando ela invade meu quarto e deita comigo pra dormir. E tem que ser encostado. E se eu me mexo ela mexe também, para continuar encostada. Mas o melhor mesmo é quando tira a tampa do ralo para jogar bolas lá dentro. Afinal, nada mais legal do que ver uma bola fazer a água voar para todo lado... E depois a bola ainda bóia! é muita emoção. Não perguntem quantas vezes eu tirei bolas de ralos nos últimos dias. Nem quantas coisas diferentes eu já tentei colocar em cima do ralo para evitar essa operação. No começo ela jogava a bola no pote de água dela. Daí ela percebeu que não queria beber água com bolas boiando lá... E quem quer, né?

E eles sabem a hora em que eu acordo. Passam correndo pela cama logo antes, porque hora de acordar é hora de brincar. Ou pulam na cama e colocam o nariz no meu nariz e eu acordo com grandes olhos de gato me olhando.

Eles incomodam sim, às vezes, mas é tanto amor que eu nem ligo. E a gente só perdoa essas coisas tolas de todo dia de quem a gente ama muito, como família.

Chega!

de ficar sem internet... coisa mais ruim pro blog...

Ai, Jorge...

Baixei Jorge Drexler um dia em que confundi ele com Fito Paez. E me apaixonei. Gente me apaixonei demais. Loucamente. Me apaixono toda vez que escuto as músicas com uma poesia tão simples, um jeito de tocar violão tão gostoso, tão minimalista e tão perfeito...

No Acústico MTV dos Titãs eles cantam Solo quiero saber lo que puede dar cierto com Fito. Não se sabe porque porque, achei que era Drexler. Nada a ver. Mas na música os Titãs declamam um poema do Neruda, que conheci na música, e adoro:

Ya no se encantarán mis ojos en tus ojos,
ya no se endulzará junto a ti mi dolor.

Pero hacia donde vaya llevaré tu mirada
y hacia donde camines llevarás mi dolor.

Fui tuyo, fuiste mía. Qué más? Juntos hicimos
un recodo en la ruta donde el amor pasó.

Fui tuyo, fuiste mía. Tu serás del que te ame,
del que corte en tu huerto lo que he sembrado yo.

Yo me voy. Estoy triste: pero siempre estoy triste.
Vengo desde tus brazos. No sé hacia dónde voy.

...Desde tu corazón me dice adiós un niño.
Y yo le digo adiós.

__________

Faz parte de um poema do Neruda que chama Farewell e me parece tão sincero. Eu nunca tinha pensado nessa questão de que uma pessoa planta o amor no coração de alguém e outra pessoa colhe, como diz o Neruda. Acho tão preciso dizer que uma pessoa se vai e leva um olhar e outra se vai e leva uma dor. E nada mais. Neruda me quebra as pernas todas as vezes em que ouço essa música. E eu acabo sendo mais grata aos Titãs, por declamarem. Grata ao Neruda, por ter existido. No meio da tristeza do fim, tão forte na poesia, sobre muita gratidão.

Drexler canta isso em uma música. Ele canta que nada se cria, o amor só migra de um lugar para o outro, como a água ou qualquer outra coisa que faz parte da natureza, que é uma cenoura num dia, parte de um coelho no outro, parte de uma raposa no outro e assim por diante.

Quer dizer, eu fiz a maior confusão e acabei conectando uma música e uma poesia que falam sobre a mesma coisa.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O limite é confuso

E aí eu sonho que estou mexendo em um cachorro grande e peludo e ele começa a babar na minha mão. Toca o despertador e eu fico com medo de desligar porque não quero sujar o celular de baba de cachorro.

Juro, aconteceu.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

E isso, senhoras e senhores, resume tudo de tudo

"Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol."

Pablo Picasso

domingo, 11 de dezembro de 2011

A lua e meu namorado imaginário

Semana passada acordei às 5 da manhã com a vizinha de cima gritando ao telefone. "Então fica com aquela vagabunda!". Ela gritava, chorava, desligava. Eu dormia de novo e aí o telefone dela tocava de novo e eu acordava com a campainha do telefone e não conseguia dormir de novo por causa da gritaria que recomeçava. Na primeira vez em que o telefone acordou, e antes que eu soubesse que ainda a madrugada seria longa e triste, no primeiro berro que ela deu o que eu pensei ainda quase dormindo foi "graças a deus eu não tenho um namorado".

Geralmente é o contrário. Geralmente quando a gente não está em um relacionamento, almeja um. Quer ter a companhia, o companheirismo, as piadas internas, as ligações em horas impróprias (mas que nunca são inoportunas), quer aquela sensação tão boa de se sentir apreciado por alguém que você respeita, que te escolheu, quer se sentir amado, em resumo. Muitas vezes, quando eu namorava, chegava em casa com a bochecha doendo de tanto rir. Depois de passar o dia inteiro com o namorado, ele me ligava logo que chegava em casa, e eu não tenho ideia de onde saía tanto assunto, mas era uma delícia ficar horas conversando. E eu ia dormir e às vezes antes de conseguir pegar no sono ficava apavorada. Começava a chorar com medo de que aquilo acabasse. De que alguma coisa muito ruim acontecesse, como para compensar tudo de bom. Essa é uma das melhores lembranças que eu tenho: a sensação das minhas bochechas doendo e de um dia perfeito, com alguém que me conhece como a palma da mão, que entende minhas piadas, que me escolheu e que nunca repensou isso. De alguém que realmente me deu o coração, e eu dei o meu.

Sinceramente, acho que é coisa para nunca mais. Não que não vão existir outros namorados, mas é diferente. Eu sempre achei que era uma escolha da pessoa a maneira como ela se comportava num relacionamento. Pensava isso porque nunca tinha tido grandes problemas nos meus. Mesmo quando existia um problema, a discussão era civilizada. Existia muito respeito.

Muitas vezes fui crítica com amigas por manterem relacionamentos que, com o tempo, se tornam tóxicos. Para que ficar com alguém que te faz mal? Que te trata mal? Relacionamentos são para fazer a gente feliz, não? Mas, infelizmente, hoje eu entendo melhor, por experiência própria e alheia, que tem gente que é capaz de tirar qualquer um do sério. E às vezes isso é um vício. Faz mal, e você sabe disso, mas é difícil de largar.

Aos poucos acho que me acostumei a estar sozinha. Tem gente que não sai sozinho, mas eu prefiro sair sozinha do que com alguém que vai cortar meu barato. Que vai me encher o saco no cinema, reclamar porque eu quero dançar, se incomodar porque o lugar tá cheio, ou porque não tem mesa, ou porque o trânsito tá ruim. Ou porque vai reclamar e pronto. Tá reclamando por que? Se tá ruim, ou você ignora ou faz piada. São as únicas opções disponíveis.

Fui me tornando suficiente para mim. Vou ao cinema sozinha. Saio para dançar sozinha. Vou à praia sozinha. Vou viajar sozinha. E adoro. Adoro porque sempre conheço pessoas nos lugares mais inusitados. Adoro porque ninguém me incomoda e isso já é bastante. E adoro porque isso é uma afirmação da minha dignidade e da minha liberdade.

Mas a verdade é que eu não me sinto sozinha. Eu adoro cantar no carro. Alto, plenos pulmões. Mas eu canto para alguém. Sempre canto para alguém. Eu gosto de comentar o filme na saída do cinema. E eu comento. Eu gosto de comentar que a comida está boa. E eu faço isso. E um belo dia eu percebi que é como se eu tivesse um namorado imaginário.

Meu namorado imaginário nunca me enche o saco. Ele entende quando eu quero ficar na minha e ler um livro e desaparece, mas tá sempre do meu lado quando eu quero cantar Adele igual uma louca. Ele não liga que eu vá dançar forró e sai para jogar futebol com os amigos. Ele tem tempo para mim, sempre, mas não impõe sua presença. Não sufoca.

Talvez ler Schopenhauer tenha sido um dano irreversível na minha vida, mas só sei que quando eu penso no que eu não tenho, eu não penso "nossa, eu podia ter um namorado, eu seria mais feliz, eu não me sentiria mais sozinha". Eu penso "eu podia ter um namorado e ele me encher a paciência porque quer ficar comigo, e eu quero ficar sozinha. Ele podia me infernizar ligando no meu telefone de madrugada. Ele podia dizer que vai me ligar e não me ligar. Ele podia dizer que a gente ia sair e me dar o bolo. Ele podia ser grosso com minhas amigas. Ele podia estragar um filme que adorei fazendo comentários ridículos no cinema. Ele podia me tirar o prazer de tomar um sorvete, reclamando da fila da lanchonete".

Eu sou difícil de agradar, e eu sei disso. Tem gente que gosta de gente, eu gosto de excessões. Gente em geral? Não, obrigada. Mas de perceber que boa parte do que eu quero num relacionamento é que ele não me incomode, não me atrapalhe no que eu tenho de bom sozinha, faz de mim uma solteira muito mais feliz. Já chorei e já ouvi chorar ao telefone e, sinceramente, não desejo isso a ninguém. As pessoas têm que ter consciência de que por mais que amem alguém, e que me perdoe Vinícius de Moraes, mas é melhor viver em paz sozinho, do que ser infeliz junto. Por mais que a gente queira alguém, querer não é precisar. Nem pode ser.

Meu namorado imaginário é o cara. Mas ainda assim, acontece às vezes de vir uma noite de lua como essa. Essa lua linda, tão cheia, tão brilhante. Essa lua que me fez suspirar ontem voltando para casa. E eu sei examente o que eu quero fazer. Eu quero ir para a Lagoa, sentar no trapiche e tomar um vinho. Nessas horas às vezes o silêncio é maior que a conversa, mas ainda assim faz falta o silêncio de uma presença. Faz falta a palavra certa quebrando o silêncio, e faz falta que ela não venha de mim.

Mas é só uma questão de lua.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Ai, Neruda...

Adoro o Acústico MTV dos Titãs. Gosto muito de "Solo quiero saber lo que puede dar cierto". Acho que me identifico. Cansei de perder tempo, só quero saber do que pode dar certo, não quero vencer o invencível nem consertar o que não tem conserto, quero o que pode dar certo, o que está por vir.

No meio da música eles declamam uma poesia que eu acho tão linda que resolvi procurar no google. E acontece que é Neruda. Gosto ainda mais agora, da ideia de colocar Neruda no meio da música, na versão em espanhol.

A poesia, parte de Farewell:

Ya no se encantarán mis ojos en tus ojos,
ya no se endulzará junto a ti mi dolor.

Pero hacia donde vaya llevaré tu mirada
y hacia donde camines llevarás mi dolor.

Fui tuyo, fuiste mía. Qué más? Juntos hicimos
un recodo en la ruta donde el amor pasó.

Fui tuyo, fuiste mía. Tu serás del que te ame,
del que corte en tu huerto lo que he sembrado yo.

Yo me voy. Estoy triste: pero siempre estoy triste.
Vengo desde tus brazos. No sé hacia dónde voy.

...Desde tu corazón me dice adiós un niño.
Y yo le digo adiós.